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Maior exportadora de celulose do Brasil comemora alta do dólar

‘Nossa geração de caixa aumentou em torno de 40%’, diz diretor da Fibria.
Com 90% da produção para exportação, empresa é exemplo raro no país.

Por Darlan Alvarenga

A forte desvalorização do real frente ao dólar, que rompeu neste mês a barreira dos R$ 3, tem trazido um alento para setores da indústria brasileira, sobretudo para os exportadores, que começam a mirar uma alta na rentabilidade e a enxergar novas oportunidades de mercado – apesar do baixo crescimento da economia brasileira, que em 2014 teve expansão de apenas 0,1%.

Muitos setores ainda sofrem com a falta de competitividade do produto nacional e com a queda dos preços das commodities no mercado mundial. Mas empresas como a Fibria, com mais de 90% da produção destinada a exportações, tem se beneficiado, e muito, com o câmbio.

“Não fazemos projeções, mas o câmbio, do jeito que está, realmente é muito bom. A desvalorização do real tem um efeito muito positivo para nossa receita e, consequentemente, mais positivo ainda na nossa geração de caixa”, afirma Guilherme Cavalcanti, diretor de finanças e relações com investidores da Fibria, a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo.

A gigante brasileira foi criada em 2009, após incorporação da Aracruz pela VCP.

Mercado externo
Exemplo raro na indústria brasileira, a companhia tem como foco o mercado externo e a base de sua receita em dólar. Ou seja, qualquer desvalorização do real favorece diretamente o caixa da empresa.

“Praticamente 100% da nossa receita é em dólar e 85% dos nossos custos são em reais. Quando o real se desvaloriza, a nossa receita em reais aumenta muito, nosso custo em reais não mexe, e a gente tem um aumento de geração de caixa”, explica o diretor.

Ele afirma que, para cada 10% de desvalorização do real, a geração de caixa da empresa aumenta em quase 20%. “Como o real já se desvalorizou quase 20% neste ano, a nossa geração de caixa aumentou em torno de 40%”, estima Cavalcanti.

A Fibria é a maior exportadora de celulose – matéria prima para a produção de papel – do Brasil. Em 2014, embarcou 4,8 milhões de toneladas ou 45,28% do volume total que saiu do país.

 Guilherme Cavalcanti, diretor de finanças e relações com investidores da Fibria (Foto: Divulgação)

Alta na Bovespa

Os primeiros resultados financeiros da Fibria em 2015 só serão divulgados no próximo mês. Mas os ganhos propiciados pelo dólar mais alto já causam reflexos no comportamento das ações da companhia. No ano, o papel da empresa acumula alta de 23% na Bovespa ante uma valorização de 3% do Ibovespa.

Segundo levantamento da Economatica, a Fibria foi a 8ª empresa que mais se valorizou em 2015, saltando de um valor de mercado de R$ 17,98 bilhões no final de 2014 para R$ 22,14 bilhões no fechamento do dia 24 de março.

Dados da associação que representa o setor, a Ibá, mostram que as exportações de celulose subiram 19,9% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2014. No primeiro bimestre de 2015, o volume embarcado (para exportação) totalizou 1,8 milhão de toneladas, um crescimento de 6,3%.

A companhia fechou 2014 com uma receita líquida de R$ 7 bilhões, sendo R$ 6,4 bilhões em exportações. O lucro reportado foi R$ 163 milhões, contra um prejuízo de R$ 698 milhões em 2013.

Para 2015, a Fibria projeta investir R$ 1,7 bilhão em manutenção das florestas da companhia e modernização das fábricas e frotas, o que representa uma alta de 6% frente a 2013. A companhia detém uma base florestal de 968 mil hectares, dos quais 343 mil hectares são reservas nativas e 71 mil hectares são áreas de fomento.

Fibria indústria celulose Jacareí (Foto: Victor Moriyama/G1)
Fábrica em Jacareí (SP) da Fibria, maior produtora de celulose do mundo (Foto: Victor Moriyama/G1)

Déficit da balança comercial

Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), Fábio Faria, embora o novo câmbio esteja viabilizando as exportações de um número maior de indústrias, os ganhos ainda estão restritos a poucos setores.

“Surgiram novas oportunidades, mas ainda não dá para garantir que essa desvalorização do real terá um efeito direto nas exportações brasileiras como um todo”, afirma. Segundo ele, apesar do novo patamar de câmbio, a oscilação da moeda continua forte, o que dificulta o planejamento das empresas e a precificação dos produtos.

“Enquanto ficar essa oscilação, vai ser muito difícil perceber um aumento efetivo nas exportações. A volatilidade prejudica todo cálculo de custos e gera muita insegurança na hora de fechar negócios”, diz Faria.

Ele destaca que a disparada da moeda norte-americana tem sido anulada ou mitigada em muitos setores pela queda no valor dos itens exportados.

Levantamento da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) aponta que os preços médios das exportações brasileiras em fevereiro caíram 17,6% na comparação com fevereiro de 2014. Os preços de algumas commodities estão no nível mais baixo desde novembro de 2009.

No acumulado no ano até 22 de março, a balança comercial brasileira acumula um déficit de US$ 6,28 bilhões. O resultado é pior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando as importações superaram as exportações em US$ 6,25 bilhões.

Segundo o vice-presidente da ABE, o câmbio não é o único problema da falta de competitividade da indústria brasileira. “O grande problema é que estamos perdendo mercado. A América do Sul continua sendo o grande mercado de exportação da indústria brasileira, e os dois principais destinos – Argentina e Venezuela – atravessam um período muito complicado”, afirma.

Fibria indústria celulose Jacareí (Foto: Victor Moriyama)
Mais de 90% da celulose fabricada pela Fibria é destinada à exportação (Foto: Victor Moriyama)

Autossuficiência energética

Diferente de muitas indústrias, a Fibria também não tem sido pressionada por aumento de custos como o de energia. A empresa é autossuficiente nesse quesito e vende parte da geração produzida a partir da queima da biomassa proveniente de subprodutos do processo de fabricação da celulose.

No ano passado, a Fibria produziu 117% da energia de que precisou na produção em suas fábricas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS).

“A gente não sofre com problema de energia. Pelo contrário, a gente vende energia porque temos superávit. Ou seja, a gente se beneficiou do aumento do preço da tarifa”, diz Cavalcanti.

Fibria indústria celulose Jacareí (Foto: Victor Moriyama)
Fibria produz mais energia do que precisa e vende o excedente para o mercado (Foto: Victor Moriyama)

Demanda em alta

O setor também tem sido favorecido pela alta dos preços e demanda por celulose de eucalipto, que tem mantido trajetória de alta desde agosto do ano passado.

“O preço está subindo este ano. Fechou em 2014 em US$ 742 a tonelada e nesta semana está em US$ 756 na Europa”, destaca o diretor da Fibria Guilherme Cavalcanti.

“A celulose é uma commodity baseada no consumo e não depende muito do comportamento do PIB e de investimentos em infraestrutura como o minério de ferro, o cobre ou o níquel”, acrescenta.

Os principais compradores de celulose de eucalipto no mundo são os fabricantes de papel e as empresas do setor de higiene. Hoje, 55% das vendas da Fibria tem como destino fabricantes de papéis sanitários (papel higiênico, guardanapos, toalha de mesa etc.).

No mundo, as vendas da commodity cresceram 11% em 2014, puxada sobretudo pelos países emergentes como China, cujo consumo tem crescido nos últimos anos a taxas anuais superiores a 20%.

“A Europa, apesar de toda a crise que passou, continua sendo nosso principal cliente, com participação de 41% nas nossas vendas. Em seguida vem Ásia com 25%, Estados Unidos com 24% e a América Latina com 10%”, detalha Cavalcanti.

Competitividade

Embora tenho sido obrigada a operar com margens de lucro mais apertadas durante os quase 10 anos de dólar ao redor dos R$ 2, a companhia diz que o Brasil oferece vantagens competitivas sem igual para a produção de celulose.

“Aqui, a árvore de eucalipto demora 6 anos para crescer e chegar na idade de corte, enquanto que na Europa demora 25 anos. É também por isso que falamos que somos um dos setores mais imunes a crise no Brasil”, afirma o diretor da empresa.

Fonte : G1

Postado por: Excell Bombas Hidráulicas | www.excellbombas.com.br

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